segunda-feira, 17 de agosto de 2009

FICÇÃO LITERÁRIA E REALIDADE UMA RELAÇÃO NECESSÁRIA!


Ficção Literária e Realidade
Eis uma relação necessária a se fazer quando se discute o trabalho com literatura, principalmente na educação infantil. A ficção presente nos textos literários infantis geram até hoje muita polêmica. Há quem diga ainda que não discutir e mostrar para os pequenos a realidade nua e crua é iludir e/ou até mesmo mentir sobre a sociedade. Em nossa prática ouvimos muitas vezes colegas confrontarem-se com os contos literários, principalmente o conto de fadas, em que estes são combatidos por estarem supostamente alheios à realidade do educando. Os colegas argumentam que é necessário trabalhar o conhecimento prévio da criança, abordá-lo e debatê-lo com ela conto de fadas como terapia ou simples prazer não é a melhor opção; ou ainda, não acrescentaria muito na formação da criança. Porém sabemos que estas colocações são e ainda serão repetidas por muito tempo de forma superficial conforme a experiência, e a bibliografia por nós consultada, podemos relacionar diretamente a literatura com a formação psicológica da criança. Conforme HELD:
Ora, é importante tornar a dizer que o fantástico autêntico, pelo fato de enraizar sempre em certo real, em experiência humana particular sem a qual qualquer criação seria impossível documenta a criança no sentido mais pleno, mais amplo do termo, traz-lhe elementos, pontos de partida de reflexão pessoal. Ao refletir sobre a elaboração da atitude crítica na criança, esforçamo-nos em mostrar que racionalidade e desenvolvimento do imaginário não eram antinômicos, assim como não são realmente opostos e distintos “imaginário” e “real. (1980, p.228).
Partindo desta reflexão entendemos que o fantástico não exclui o real, uma vez que ele necessariamente para existir na mente da criança fará relação com o real. Quando iniciamos uma história fantástica existe um combinado de faz de conta, ou seja, a criança sabe que depois do “era uma vez” tudo pode acontecer, quando “mergulha” na história a criança jamais deixará de levar as suas vivências e de certa forma, mesmo que inconscientemente irá relacionar com a sua realidade.
Portanto o maravilhoso sempre foi e continua sendo um dos elementos mais importantes na literatura destinada às crianças. Através do prazer ou das emoções que as estórias lhes proporcionam, o simbolismo que está implícito nas tramas e personagens vai agir em seu inconsciente ou pré- consciente e, ali atuando, ajudam-nas a, pouco e pouco, resolverem seus conflitos interiores normais” (COELHO,1982, p.33)
Entendemos que as histórias podem ir além do encantamento; quando escolhidas, estudadas e preparadas adequadamente, podem ter função de educar. Elas encerram lições dando contexto a situações, sentimentos e valores que quando isolados são difíceis de serem compreendidos.
Por meio dos exemplos contidos nas histórias, as crianças adquirem maior vivência. O contato com os impulsos emocionais, as reações e os instintos comuns aos seres humanos e o reconhecimento dos fatos e causas por estes impulsos são exemplos de vida. Eis então a urgência para que as crianças mantenham contato com os livros e a diversa infinidade de histórias, pois estas além de terem um valor educacional, de certa forma instigam o pensamento reflexivo, cativam as crianças e adolescentes para o mundo mágico da leitura, onde cada um cria a história e interage com a mesma, desfazendo e refazendo idéias e opiniões.
Existem questionamentos comuns sobre a ficção literária, com relação à sua relação com a construção do real. Há os que defendem que a ficção literária reprime a construção do real. Com relação a isso nos referenciamos em HELD:
Supõe-se habitualmente que o fantástico reprime na criança a construção do real, como se o real inevitavelmente devesse ser elaborado contra o imaginário, ou o imaginário contra o real. Tal crítica não nascerá de duas causas tão ligadas: de um lado, espécie de desprezo inconsciente da criança, subestima de sua capacidade de aprender a construir pouco a pouco uma ficção sabendo que é uma ficção, de entrar na ficção de outrem tendo consciência disso. De outro lado, visão muito esquemática e dicotômica do desenvolvimento respectivo da inteligência lógica conceitual, e da imaginação. (...) Em todas as atividades deste tipo, o despertar da inteligência e o de imaginação caminham juntos e constantemente se enriquecem. (1980, p.39).
Entendemos a relação dialética que se dá entre imaginário e real e é por isso mesmo que as histórias se transformam em um instrumento tão poderoso; porque permitem, partindo do objetivo, trabalharmos o subjetivo e retornarmos ao objetivo novamente, possibilitando que a criança estabeleça relações entre o que é o que pode ser, entre a fantasia e a realidade. É preciso possibilitar a ela as fantasias para que ela aproprie-se também do que o real. Além do que as histórias “irreais” garantem, além da atividade de leitura, um trabalho mais relacionado com a psique. As histórias “irreais” possibilitam ao educando vivenciar conflitos mágicos e transferi-las para suas experiências cotidianas. Quando a criança tem acesso à obra literária, de uma forma ou de outra, faz relação com seus conhecimentos prévios, o desfecho da história pode desta maneira retomar e ajudar a resolver conflitos emocionais.

Um comentário:

  1. Olá!! Belo trabalho!! Continue sempre do lado da cultura e da arte para que ela fortaleça-se sempre!!
    Abraços. Veja nosso blog também
    http://ciateatralnosemcena.blogspot.com
    Fábio Beckert

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