Contando e Encantando

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Oficina de Bonecos Mamulengos- unindo produção plástica, cultura popular e literatura




"É aqui a brincadeira mamulengo avuador.. atravessa o mundo inteiro mamulengo beija-flor" Grupo Mundaréu

No sábado dia 04/09 foi realizada na biblioteca da escola Maria Neide, pela professora Viviane, uma oficina para a confecção de bonecos "mamulengos".
A confecção dos bonecos iniciou cedo, uma vez que para construí-lo é necessário fazer papietagem e também pintura com guache, configurando-se em um processo demorado. (realizamos a papietagem com jornal, cola escolar e como suporte utilizamos a garrafa pet)
Muitos dos alunos que compareceram trouxeram ajudantes, os seus pais, como as fotos podem demonstrar.
A atividade foi bastante envolvente ficamos o dia todinho "viajando" no mundo dos bonecos.

O boneco "mamulengo" é um boneco utilizado no teatro de rua, uma forma de teatro musicada e brincante, que envolve o público e inclui no seu roteiro a participação deste.

O nome "mamulengo" vem do termo "mão molenga"que é como tradicionalmente manipulam-se este tipo de boneco. Esta cultura de brincar com "mamulengo" vem do nordeste brasileiro a mais de 3 séculos.
Nesta atividade além de envolvermos a consciência ecológica partindo da possibilidade de reaproveitamento de materiais recicláveis, despertamos também habilidades plásticas e teatrais dos participantes, pois depois de todo o trabalho fizemos um teatrinho improvisado com os bonecos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

FICÇÃO LITERÁRIA E REALIDADE UMA RELAÇÃO NECESSÁRIA!


Ficção Literária e Realidade
Eis uma relação necessária a se fazer quando se discute o trabalho com literatura, principalmente na educação infantil. A ficção presente nos textos literários infantis geram até hoje muita polêmica. Há quem diga ainda que não discutir e mostrar para os pequenos a realidade nua e crua é iludir e/ou até mesmo mentir sobre a sociedade. Em nossa prática ouvimos muitas vezes colegas confrontarem-se com os contos literários, principalmente o conto de fadas, em que estes são combatidos por estarem supostamente alheios à realidade do educando. Os colegas argumentam que é necessário trabalhar o conhecimento prévio da criança, abordá-lo e debatê-lo com ela conto de fadas como terapia ou simples prazer não é a melhor opção; ou ainda, não acrescentaria muito na formação da criança. Porém sabemos que estas colocações são e ainda serão repetidas por muito tempo de forma superficial conforme a experiência, e a bibliografia por nós consultada, podemos relacionar diretamente a literatura com a formação psicológica da criança. Conforme HELD:
Ora, é importante tornar a dizer que o fantástico autêntico, pelo fato de enraizar sempre em certo real, em experiência humana particular sem a qual qualquer criação seria impossível documenta a criança no sentido mais pleno, mais amplo do termo, traz-lhe elementos, pontos de partida de reflexão pessoal. Ao refletir sobre a elaboração da atitude crítica na criança, esforçamo-nos em mostrar que racionalidade e desenvolvimento do imaginário não eram antinômicos, assim como não são realmente opostos e distintos “imaginário” e “real. (1980, p.228).
Partindo desta reflexão entendemos que o fantástico não exclui o real, uma vez que ele necessariamente para existir na mente da criança fará relação com o real. Quando iniciamos uma história fantástica existe um combinado de faz de conta, ou seja, a criança sabe que depois do “era uma vez” tudo pode acontecer, quando “mergulha” na história a criança jamais deixará de levar as suas vivências e de certa forma, mesmo que inconscientemente irá relacionar com a sua realidade.
Portanto o maravilhoso sempre foi e continua sendo um dos elementos mais importantes na literatura destinada às crianças. Através do prazer ou das emoções que as estórias lhes proporcionam, o simbolismo que está implícito nas tramas e personagens vai agir em seu inconsciente ou pré- consciente e, ali atuando, ajudam-nas a, pouco e pouco, resolverem seus conflitos interiores normais” (COELHO,1982, p.33)
Entendemos que as histórias podem ir além do encantamento; quando escolhidas, estudadas e preparadas adequadamente, podem ter função de educar. Elas encerram lições dando contexto a situações, sentimentos e valores que quando isolados são difíceis de serem compreendidos.
Por meio dos exemplos contidos nas histórias, as crianças adquirem maior vivência. O contato com os impulsos emocionais, as reações e os instintos comuns aos seres humanos e o reconhecimento dos fatos e causas por estes impulsos são exemplos de vida. Eis então a urgência para que as crianças mantenham contato com os livros e a diversa infinidade de histórias, pois estas além de terem um valor educacional, de certa forma instigam o pensamento reflexivo, cativam as crianças e adolescentes para o mundo mágico da leitura, onde cada um cria a história e interage com a mesma, desfazendo e refazendo idéias e opiniões.
Existem questionamentos comuns sobre a ficção literária, com relação à sua relação com a construção do real. Há os que defendem que a ficção literária reprime a construção do real. Com relação a isso nos referenciamos em HELD:
Supõe-se habitualmente que o fantástico reprime na criança a construção do real, como se o real inevitavelmente devesse ser elaborado contra o imaginário, ou o imaginário contra o real. Tal crítica não nascerá de duas causas tão ligadas: de um lado, espécie de desprezo inconsciente da criança, subestima de sua capacidade de aprender a construir pouco a pouco uma ficção sabendo que é uma ficção, de entrar na ficção de outrem tendo consciência disso. De outro lado, visão muito esquemática e dicotômica do desenvolvimento respectivo da inteligência lógica conceitual, e da imaginação. (...) Em todas as atividades deste tipo, o despertar da inteligência e o de imaginação caminham juntos e constantemente se enriquecem. (1980, p.39).
Entendemos a relação dialética que se dá entre imaginário e real e é por isso mesmo que as histórias se transformam em um instrumento tão poderoso; porque permitem, partindo do objetivo, trabalharmos o subjetivo e retornarmos ao objetivo novamente, possibilitando que a criança estabeleça relações entre o que é o que pode ser, entre a fantasia e a realidade. É preciso possibilitar a ela as fantasias para que ela aproprie-se também do que o real. Além do que as histórias “irreais” garantem, além da atividade de leitura, um trabalho mais relacionado com a psique. As histórias “irreais” possibilitam ao educando vivenciar conflitos mágicos e transferi-las para suas experiências cotidianas. Quando a criança tem acesso à obra literária, de uma forma ou de outra, faz relação com seus conhecimentos prévios, o desfecho da história pode desta maneira retomar e ajudar a resolver conflitos emocionais.

domingo, 9 de agosto de 2009

Referencias Importantes para o trabalho com literatura infantil


ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 1989.

AGUIAR, Vera Teixeira de e outros. Leitura em crise na escola: as alternativas do professor. Porto Alegre: Mercado Aberto.

AMARILHA, Marly. Estão mortas as fadas? Petrópolis: Vozes, 1997. 2ª ed.

BAMBERGUER, Richard. Como incentivar o hábito da leitura. São Paulo: Ática, 2002. 7ª ed.

COELHO, Betty, Contar Histórias uma arte sem idade. São Paulo: Ática. 2008. 10ª ed.

COELHO, Nelly Novaes, A literatura infantil. São Paulo: Global. 1982. 2ª ed.

CUNHA, Maria Antonieta. Literatura Infantil: Teoria e Prática. São Paulo: Ática, 1990.

GARCIA, Regina Leite (org.) Revisitando a pré -escola. São Paulo: Cortez, 2005. 6ª ed.

GRIMM, C.de Os músicos de brêmem. São Paulo: Ática, 2005. 8ª ed.

HELD, Jacqueline. O imaginário no poder. São Paulo: Summus, 1980, 2ª ed.

KLEIMAN, Angela. Oficina de leitura: teoria e prática. Campinas: Pontes, 2000. 7ª ed.

MACHADO, Ana Maria, Pavão do Abre-e-fecha. São Paulo, Ática, 2008, 6ªed.

MORAES , Marta, Costa. Metodologia do ensino da Literatura Infantil. Curitiba: Ibepex, 2007.

OLIVEIRA, Maria Marly, Como fazer pesquisa qualitativa. Petrópolis: Vozes,2007.

PENTEADO, Maria Heloísa, Lúcia já-vou-indo. São Paulo, Ática, 1980, 28ªed.

PINTO, Ziraldo Alves, Filts. São Paulo, Melhoramentos, 2002, 39ªed.

PONDÉ, Glória. A arte de fazer artes. Rio de Janeiro: Nórdica, 1985

REGO, L. Literatura Infantil: Uma nova perspectiva da alfabetização na pré-escola. São Paulo: FTD, 1988.

REGO, Lúcia Lins Browne. Literatura infantil: uma nova perspectiva de alfabetização na pré-escola. São Paulo: FTD, 1994

VIGOTSKI, L.S. Formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007.7ªed.

WOOD, Audrey, A bruxa salomé. São Paulo, Ática, 2008, 9ª ed.

WOOD, Audrey, A casa sonolenta. São Paulo, Ática, 2006, 16ª ed.

WOOD, Audrey, A história do pequeno pingüim. São Paulo, Ática, 2007, 5ª ed.

WOOD, Audrey, O rei bigodeira e sua banheira. São Paulo, Ática, 2008, 9ª ed.

YUNES, E; PONDE, G. Leitura e leituras da literatura infantil. São Paulo: FTD, 1988.

Aprendendo, brincando e encantando-se com o mundo literário



Pensar no retrato do que é literatura hoje em nosso país, é algo que nos mobiliza a pensar na necessidade de formar leitores e buscar introduzir uma nova prática. Em pesquisa veiculada ao Instituto Pró Livro, em maio de 2008, tivemos a ilustração clara do que é hoje o conhecimento do povo brasileiro sobre a literatura. Dentre as pessoas entrevistadas, quando questionadas sobre qual o livro mais importante que leram em suas vidas, responderam ser a Bíblia; em segundo lugar, com dez vezes menos votos ficou o “Sítio do Pica Pau Amarelo”, livro não existente e que possivelmente foi citado com intenção de fazer referência a alguma obra de Monteiro Lobato. Dado relevante ainda desta pesquisa é que 26% dos entrevistados entendem literatura como conhecimento, 8% como crescimento profissional e apenas 4% como prazer.
É diante deste entendimento que defendemos ser necessária uma prática diferenciada. Defendemos o brincar e se encantar com o mundo literário, pois entendemos como MORAES, que a escola possui papel fundamental na formação do leitor:
A formação do leitor é atribuição primordial, prioritária e indiscutível da escola, à qual cabe muito maior responsabilidade do que cabe às outras instituições sociais, como a igreja e a família. A escola deveria ter professores qualificados, acesso à biblioteca, planejamento e metodologia necessários ao trabalho eficaz e eficiente com a aprendizagem da leitura, a formação do leitor (...) Cabe não esquecer que todo trabalho de formação de leitores para a literatura não pode, em momento algum, menosprezar ou deixar em segundo plano o papel do professor enquanto mediador e enquanto exemplo de leitor. (2007, p.95, 96).
Analisando os dados acima referidos e tomando em consideração a colocação de MORAES, entendemos não ser tarefa fácil, porém imprescidível a nossa mobilização para o aprofundamento e aplicação de uma prática melhor fundamentada e organizada. Sabemos que a crise de leitura é um dos mais graves problemas da escola e, ao procurar suprir esta necessidade, muitas instituições munidas de pobreza imaginativa, cultura mecanizada, desconhecimento das possibilidades de ser e existir, sacralizam o livro como dono de um saber inquestionável e infalível, colocando-o na categoria de valores intocáveis e imutáveis.
As obras literárias não têm um leitor preestabelecido. É uma obra aberta na medida em que se dirige a um público anônimo e heterogêneo. No entanto, as obras infantis apresentam uma característica muito interessante, pois esta, ao ser direcionada ao público infantil, pode se dispersar por todos os públicos, de todas as idades. A obra infantil tem esse valor imaginativo profundamente viável e fácil, mas ao mesmo tempo valorativo e impressionante. Dificilmente vemos um adulto, estranhar e reclamar de uma obra da literatura infantil atribuímos isso à forte influência que esta exerce sobre nós, através de seus caminhos mágicos esta literatura nos gera sensações e emoções que não possuem idade. Provavelmente esta literatura é ofertada para criança por elas representarem na verdade um ser humano em formação; em formação intelectual, formação emocional e formação ética inicial.
Portanto os adultos podem e devem recorrer à literatura infantil para viajar pelas sensações da vida e do mundo. Como é bom sentar e ler um bom livro infantil, ele sempre nos surpreende e passa uma mensagem importante, ele nos faz encantar, nos faz poder brincar, nos permite voltar à infância ou até mesmo nos colocarmos na condição de adultos que cresceram, mas que não abandonaram as experiências passadas.

sábado, 30 de maio de 2009

Boas Vindas!



Olá!

Acabo de criar este blog para que amigos, companheiros e colegas que gostam de literatura e arte possam ver, ouvir, contar e encantar-se com o mundo da literatura e da contação de histórias...


Um Abraço


Viviane